Farol à LED, saiba tudo!

Farol à LED, saiba tudo!

Lembra daquela luzinha verde (ou vermelha) que aparecia em seu aparelho de som quando você apertava o “power”? Pois bem, agora olhe aqui para cima. E para a página ao lado. Aí está ela, evoluída. E branca. Seu nome? Led. Mas pode chamá-la de diodo emissor de luz. Depois dos faróis de xenônio, os leds são a grande aposta para iluminar os automóveis do futuro.

Futuro? Olhe ele aí no novo A8, que acaba de ser lançado pela Audi. Esse é um dos primeiros carros de série a trazer a tecnologia “full led” – que também equipa o esportivo Audi R8 –, na qual lanternas, faróis baixos e altos são inteiramente formados por leds. Segundo os engenheiros da Audi, em termos informais os leds conseguem simular “a luz do meio-dia com céu azul e sem nuvens”. Isso significa rodagem muito mais segura à noite, por causa da claridade superior, que provoca menos cansaço ao motorista. Em termos técnicos, os leds alcançam luminosidade de 5.600 kelvin, que é a temperatura da luz.

Ao contrário das lâmpadas incandescentes, os leds não possuem filamento, ou seja, a luz vem do próprio material que compõe o seu chip. De acordo com as combinações químicas dos materiais, é possível gerar diferentes grupos de cor. “Enquanto uma lâmpada incandescente dura em torno de mil horas, o led pode chegar a cinco mil horas”, explica Carlos Takata, diretor técnico da Valeo. De acordo com a Audi, os leds podem chegar a ter o dobro da vida útil de um automóvel. Ou seja: em breve, você pode ter um carro no qual os faróis, simplesmente, não queimam.

As vantagens da tecnologia não se restringem à durabilidade. A Audi acredita que um automóvel que utilize apenas leds na dianteira e na traseira economizaria 74% de energia (de 652 watts/hora para 168 W/h). “Também vale lembrar que o led não esquenta e, por isso, proporciona maior segurança ao usuário”, diz Guilherme Sartori, gerente de vendas da Osram, multinacional alemã responsável pelo desenvolvimento de funções dos faróis do Audi A8. “Outro ponto é a versatilidade, a liberdade de design”, comenta o engenheiro Heldai Lemos Ferreira, professor da FEI.

Golf VI traz leds nas lanternasMas se o led é tão vantajoso assim, por que não chegou antes aos carros de produção? Custo. “Existe uma complexidade muito grande em desenvolver um farol em led, é preciso ter uma eletrônica sofisticada”, justifica Takata. Para entender essa complexidade, vamos ao exemplo da luz baixa. É só fazer o teste em casa: acenda a luz baixa do farol de seu carro em frente a uma parede. Você verá que há uma linha horizontal à esquerda e outra linha levemente inclinada à direita. É a chamada linha de corte, exigida por lei, projetada para não ofuscar a visão do carro que vem na direção contrária e, à direita, iluminar as sinalizações da estrada. “No caso dos leds, é preciso criar uma eletrônica específica para conciliar a distribuição de luz com a linha de corte”, comenta o especialista da Valeo.

Não é à toa que, por enquanto, a tecnologia full led está disponível somente em carros de luxo. Para se ter uma ideia, o conjunto de farois em led do A8 custa 1.800 euros na Europa, preço que sobe para 3.500 euros no caso do R8. É caro, mas os especialistas em iluminação da Audi têm um forte argumento a seu favor: um jogo de rodas como o do R8 custa 4 mil euros. Em modelos mais “acessíveis”, é possível encontrar leds em partes do farol, como no novo Polo GTI europeu, ou nas lanternas, a exemplo do Golf VI. “Esperamos que até 2015 os carros populares incorporem a tecnologia”, diz Sartori, da Osram.

Além dos leds, os faróis de xenônio também estão evoluindo. Desde 2007, a Audi, por exemplo, vem abandonando o uso de mercúrio em seus faróis. No lugar da substância (que será proibida na Europa a partir de 2012), a alemã utiliza mais potência elétrica para o momento da ignição dos faróis. Outro conceito é aquele em que o farol baixa automaticamente quando reconhece luz em sentido contrário. A Mercedes tem algo semelhante no Classe E, mas no Audi o facho mantém-se inalterado à esquerda e à direita do obstáculo, e só se apaga na área onde vem o veículo, para evitar ofuscamento. Mas isso também é para o futuro, e depende de alteração da lei.

GPS vai controlar faróis

Faróis monitorados por GPS, luzes de neblina com laser, leds mudando de cor para cumprir a função de lanterna e pisca… Tudo o que a Audi tem feito em termos de tecnologia de iluminação nasce em uma sala escura, com paredes pretas, localizada no segundo subsolo do prédio onde fica a matriz da empresa, em Ingolstadt, Alemanha. É ali que são testadas ideias que ainda vão demorar muito tempo para chegar às lojas.

Uma das maiores inovações, ainda em fase experimental, são os faróis controlados por GPS. A ideia é que o facho varie conforme a rota, previamente traçada pelo navegador. Quando o carro está numa reta sem transversais, o facho concentra-se apenas para frente. Nesse caso, ele aumenta a distância de cobertura acima de 120 km/h, e diminui com a redução do ritmo. Porém, pouco antes de chegar a um cruzamento (situação reconhecida pelo sistema de navegação), o facho fica mais curto e mais largo, para clarear a esquina e permitir que o motorista veja melhor o cruzamento. O mesmo sistema serve para movimentar os faróis nas curvas. Dessa forma, a mudança do facho seria feita um pouco antes da chegada da curva, aumentando a segurança. Atualmente, o movimento dos faróis em veículos que possuem a tecnologia é comandado pelo volante. Ou seja: o facho move-se quando o carro já está fazendo a manobra.

A mesma lógica serve para mudar o funcionamento dos faróis quando o veículo cruza o Canal da Mancha, por exemplo, e entra na Inglaterra. Como a mão de direção muda, os faróis passam a iluminar mais o lado esquerdo da pista, o contrário do que ocorre em países com volante do lado esquerdo.

Além disso, em congestionamentos os faróis automaticamente diminuiriam de intensidade (como ocorre com os limpadores de para-brisa), porque com os carros parados não é preciso utilizar a mesma potência necessária em alta velocidade. Inovações como essa, porém, só podem ser implementadas após a mudança na legislação de trânsito, porque a lei não prevê luzes com intensidades variáveis.

Outra novidade em estudo é o uso de laser na luz traseira de neblina. Nesse caso, o facho de laser utilizaria a própria cerração para tornar-se visível, num efeito parecido com a iluminação refletida em uma coluna de fumaça. A distância do facho também poderia ser controlada.

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